terça-feira, 6 de outubro de 2015

SAUDADE dói mais que a morte!

Tu compreendes. É muito longe. Eu não posso carregar este corpo. É muito pesado.”
A morte é o abandono pleno e irrevogável da carne, da existência limitada pela matéria, subordinada a tempo e espaço. Não há mistério na morte! A morte é o abandono!
Mas será como uma velha concha abandonada. Não tem nada de triste numa velha concha…
O Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry nos contou sua estória de amor que exigia uma viagem para o céu. Ele afirmou com outras palavras que o corpo é só um recipiente, uma pequena casa e quando viajamos, deixamos a casa vazia, abandonamos esse lar chamado "quem estou" para que o nosso "verdadeiro eu" encontre seu verdadeiro lar "quem eu sou".
Na literatura universal, o único que se apresenta como "eu sou" é o Divino, é Ele que também se apresenta como o destino das nossas alma, nossa casa.
Permaneceu, por um instante, imóvel. Não gritou. Tombou devagarinho, como uma árvore tomba. Nem fez sequer barulho, por causa da areia
Quando a árvore abandona as folhas cessa a seiva misteriosa que alimenta o verde, e as folhas caem e secam e se misturam ao solo...não somos as folhas... somos a seiva!
Tive um súbito susto ao imaginar que fossemos as folhas, mas as folhas são a parte que vemos do esplendor da árvore. Somos essa glória que se renova em novas folhagens. Somos sempre outros e sempre os mesmos! SOMOS A SEIVA!
A dor da morte não está relacionada com a perda: não existem perdas reais! A dor sistua-se no abandono e tem sua fonte na saudade, saudade do que houve e do que não haverá. SAUDADE DÓI MAIS QUE A MORTE, porque a morte não existe mas a saudade, essa que ninguém vê: DÓI DEMAIS!

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