terça-feira, 16 de fevereiro de 2016







Eu me recuso a envelhecer...
mas quero contar os anos... muitos anos...
o que eu não quero é enrugar por dentro.
Quero me renovar de quando em quando...
ler um livro estranho, assistir a um filme bizarro...
dar um choque em mim mesma... de realidade ou de sonho...
nem sempre sei do que preciso, mas ...
o fato é que mesmo depois de todos os anos ...
eu quero olhar bem dentro de mim...
e enxergar beleza!!!!





PS: Palavras escritas após a leitura do poema de Vinicius
 (teria amado esse homem loucamente com certeza )

O Sol, que pelas ruas da cidade
Revela as marcas de viver humano
Sobre o teu belo rosto soberano
Espalha apenas pura claridade.
Nasceste para o Sol; és mocidade
Em plena floração, fruto sem dano
Rosa que enfloresceu, ano por ano
Para uma esplêndida maioridade.
Ao Sol, que é pai do tempo, e nunca mente
Hoje se eleva a minha prece ardente:
Não permita ele nunca que se afoite
A vida em ti, que sumo de alegria
De maneira que tarde muito a noite
Sobre a manhã radiosa do teu dia.
                                     
                                       Vinicius de Moraes

Memórias póstumas do tempo e de mim






Tem pessoas que gostam de guardar lembranças em caixas, por exemplo, quando eu era mais menina que hoje, guardava em uma bilhetes, ingressos, fotografias... enfim, pequenos pontos de contato com lembranças recentes que um dia seriam remotas. Tenho um baú contendo uma boa parte da minha adolescência ali... nomes e fotografias de  pessoas que já não vejo há muito tempo... o relato do primeiro beijo no primeiro namorado... as impressões tão infantis do momento vivido... Pode parecer ridículo, esse tipo de coisa, mas é tão gostoso, engraçado e especial...É quase como se olhar no espelho do tempo e tocar no vidro com o intuito de acariciar aquela imagem tão pura, tão bela, tão jovem... do outro lado!
O tempo mexe com a gente! A vida nos molda e nos transforma!
 Acredito que a função do tempo e do destino é arrancar a tarja "CUIDADO É FRÁGIL" com a qual nascemos! E como o destino cuida bem disso! 
Se somos seres destinados a eternidade, temos que "endurecer sem perder a ternura", não é mesmo!!
Revirando a minha caixinha, eu respiro fundo, como se em um fôlego coubesse toda a estória vivida no intervalo dos anos... e ouço a música... aquela velha canção que me embalava os sonhos... e me refaço, com um sorriso, recuperando os detalhes de mim mesma que talvez houvesse esquecido não fossem preservadas aquelas doces e infantis memórias!  

terça-feira, 6 de outubro de 2015

SAUDADE dói mais que a morte!

Tu compreendes. É muito longe. Eu não posso carregar este corpo. É muito pesado.”
A morte é o abandono pleno e irrevogável da carne, da existência limitada pela matéria, subordinada a tempo e espaço. Não há mistério na morte! A morte é o abandono!
Mas será como uma velha concha abandonada. Não tem nada de triste numa velha concha…
O Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry nos contou sua estória de amor que exigia uma viagem para o céu. Ele afirmou com outras palavras que o corpo é só um recipiente, uma pequena casa e quando viajamos, deixamos a casa vazia, abandonamos esse lar chamado "quem estou" para que o nosso "verdadeiro eu" encontre seu verdadeiro lar "quem eu sou".
Na literatura universal, o único que se apresenta como "eu sou" é o Divino, é Ele que também se apresenta como o destino das nossas alma, nossa casa.
Permaneceu, por um instante, imóvel. Não gritou. Tombou devagarinho, como uma árvore tomba. Nem fez sequer barulho, por causa da areia
Quando a árvore abandona as folhas cessa a seiva misteriosa que alimenta o verde, e as folhas caem e secam e se misturam ao solo...não somos as folhas... somos a seiva!
Tive um súbito susto ao imaginar que fossemos as folhas, mas as folhas são a parte que vemos do esplendor da árvore. Somos essa glória que se renova em novas folhagens. Somos sempre outros e sempre os mesmos! SOMOS A SEIVA!
A dor da morte não está relacionada com a perda: não existem perdas reais! A dor sistua-se no abandono e tem sua fonte na saudade, saudade do que houve e do que não haverá. SAUDADE DÓI MAIS QUE A MORTE, porque a morte não existe mas a saudade, essa que ninguém vê: DÓI DEMAIS!

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Fazer da ALMA o VERBO!!

Seria o corpo a camisa de força que detém o verbo essencial?! Seria a MENTE a nascente de toda a loucura e a ausência ou demência a forma mais pura de existir?!
Há insanidade na loucura em um mundo inventado, ou apenas uma criatividade diferente da acatada por todos?!
ALMA sem represa e sem reserva é uma estranheza que dá medo!!
ALMA represada é ainda pior...é água em que não molhamos os pés!!

Quanto espírito há no romper do invólucro?! Quanta fome há no imaterial?! Quanta poesia e quantos pássaros no peito aberto?! Quantos infinitos no olhar sem olhos?!

Sentir é um verbo conjugado no canto mais escuro da ALMA e lá esconde segredos.Vez por outra, convém procurar sentimentos perdidos que como pássaros durante a madrugada se aninham e depois não encontram a saída.

Enlouquecer é por todos os pássaros em revoada pra que o arrulho dê lugar ao silêncio, e o silêncio à analise, e a análise à consciência. Eu gosto da palavra consciência, porque ela aniquila as perversidades da mente, e dá lugar à placidez da ALMA!!

ALMA PARADA, água parada não convém: adverte o Ministério da Saúde!!!

Convém conjugar a ALMA em versos e sons e melodias!! Convém conjugar a ALMA em abraços, sorrisos, beijos e fantasias...em gemidos, em dança, em preces!! ALMAR !!